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Ararucity, Frio de Janeiro, Brazil

sexta-feira, 11 de março de 2011

Abismo.

Sinto a minha cama uma fria ausência, não sei bem de quem, mas sinto um vazio. Quando olho para o teto vira uma imensidão negra e assustadora querendo me engolir, como eu fosse uma criatura indefesa. Olho para o lado, e vejo a minha sandália vermelho-sangue suja... arrebentada, percebo que ela retrata tudo que eu vivi essa noite. Na minha boca sinto um gosto metálico, horrível... Me droguei para esquece-lo, aquele doce rapaz que se aproveitou de mim, me usou, me ensinou o que é viver, e como é me drogar, me fez conhecer algumas amizades fracassadas, mas novamente fico atordoada. Não sei em que pensar... adormeço.

Levanto, não consigo adormecer, tento ficar de pé segurando em algo, não consigo ver exatamente o que é, vou caminhando com passos largos até o banheiro do quarto do hotel, de repente me vejo no espelho, aquela criatura horrorosa, com cabelos negros emaranhados, olhos borrados de maquiagem pesada, sinto-me desfigurada, noto que começo a chorar, imóvel, reparando cada traços de insegurança naquela pele branca como a neve
.
Abro a torneira a procura de algo para jogar tudo que é de ruim que grudou na minha face para o esgoto, mas nada sai. Sento-me no chão, meus pés estão sujos, tento me limpar, mas não consigo... Tento identificar o que vejo, mas é apenas cocaína do dia anterior.
Percebo que acabei com a minha vida, a cada dia vou me afundando mais, ninguém conseguirá me tirar daqui, nem ele mesmo. Vivo como um cão fugido de casa, vivo como um dinheiro perdido no asfalto, vivo pulando de cassino em cassino, tenho uma coleção de sandálias, jóias, e o principal: sou podre de rica. Sou mulher de vários homens, mas só um me interessa... ele... o que ele quis ele conseguiu.


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